Centenas de larápios receberam na noite de ontem o inédito “Indulto de noite de autógrafos”, para acompanhar o lançamento do livro “Ele, Maluf, trajetória da audácia”, que retrata a vida do ex-prefeito, ex-governador e ex-croque de São Paulo, Paulo Maluf.

Ex-leitor tenta dar um “Pedala Maluf” no ex-prefeito
Idealizador de grandes projetos como as Marginais Tietê e Pinheiros, o Minhocão, O Colosso de Rodes, o Oceano Atlântico, a Estrela da Morte e o layout do Zoei Grandão, entre outros, Maluf autografou os cheques sem fundo na livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista. Estes foram destinados a diversos correligionários e donos de construtoras, e serão usados na construção de pontes, viadutos, estátuas e uma passarela que vai ligar o Piauí ao Acre. Mesmo usando algemas, o político suportou por horas a sessão de distribuição dos benefícios.
Entre os ilustres presentes estavam José Mentor, deputado petista por São Paulo, Delfim Netto, pepista de São Paulo, Henry Sobel, rabino do PR (Partido do Rabinato) por Tel Aviv, Al Capone, deputado petista por Chicago, Ali Babá, líder tucano no Congresso, Bandido da Luz Vermelha, representando a bancada dos Democratas, Rei do Crime, deputado pemedebista nos quadrinhos. Todos contavam com o habeas corpus emitido Luiz Flávio D’urso, presidente da OAB (Ordem dos Animais do Brasil), que estava presente ao evento devidamente encoleirado. Celso Pitta foi visto na seção de auto-ajuda da livraria, chorando copiosamente e reclamando do “Apartheid do evento”.

O filho do Vicentinho com o Olívio Dutra (de chapéu) também prestigiou o lançamento.
A obra é de Maluf, apesar de assinada pelo jornalista Tão Gomes Pinto., que escreveu na sua mãe e em diversos jornais do país. Nela, o ex-governador e ex-telionatário tece comentários sobre a chegada da família Maluf ao Brasil, a passagem pela prefeitura e pelo governo de São Paulo e sua fama de “comedor de quibe” dada pelo jornal O Estado de São Paulo. O candidato aproveitou a ocasião para dar uma entrevista exclusiva ao ZG, além da derrota nas eleições indiretas de 1985, onde Maluf concorreu com o morto e perdeu porque roubou do Tancredo no baralho.

230 páginas de audácia
Zoei Grandão: Doutor Paulo, é verdade que o senhor desviou mais dinheiro do que todos os afluentes desviaram em águas do Rio Amazonas?
Paulo Maluf: Veja bem Redator. Eu construí as Marginais. Construí a Jacu-Pêssego. Fiz o homem à minha imagem e semelhança e fui secretário de obras do Governo Truman [ex-presidente dos EUA, responsável pelo Plano Marshall, que reconstruiu a Europa no pós-guerra]. Eu ainda construí o layout deste site.
ZG: Mas doutor Paulo, e o dinheiro na Suíça?
Paulo Maluf: Tá vendo aquela barraca de cachorro quente? Foi Maluf quem fez. E aquele cachorro poodle? Foi Maluf quem fez. E a senhora sua mãe? Foi Maluf quem fez. Eu contribui mais para a cidade do que o Oscar Marone.
ZG: E quanto ao Celso Pitta?
Paulo Maluf: Foi Maluf quem fez.
ZG: Falemos do lançamento do livro. Os petiscos estão muito bons.
Paulo Maluf: Foi Maluf quem fez. Liga para a Silvia [Maluf, ex-posa do ex-prefeito] e encomenda. Faturamos com nota fria.
Além dos supracitados presentes, o Presidente Luís Inácio da Silva, o Lula, também compareceu ao evento. A princípio, Lula estranhou o ambiente da livraria. “Franklin, que que eu tô fazendo aqui”, perguntou ao ministro das Relações Institucionais e Extra-conjugais, Franklin Martins. Pouco tempo depois, porém, Lula foi visto lendo o Almanacão da Mônica e discutia com a comitiva presidencial presente o teor do livro. “Gostei das figuras. Avisa pro Mangabeira [Unger, Ministro de Sabe-se lá o quê] que eu quero que ele leia isso antes de eu dormir”. Lula aproveitou a oportunidade para autografar um exemplar do livro de Maluf para o ZG, umas vez que o ex-prefeito teve de sair mais cedo por conta de um ex-trato bancário recebido direto da Suíça.

Autógrafo do Presidente Lula, ao Editor.
Zoei Grandão. Nenhuma carteira sofreu durante a realização desta matéria. O repórter Redator viajou a convite do Habib’s .

